Ir de carro de Lisboa até Dubrovnik com crianças pode parecer uma ideia descabida. Mas não nos arrependemos nem um segundo.
Para a nossa terceira road trip em família pela Europa decidimos arriscar e ir mais longe do que nunca. Esta road trip pela Eslovénia e Croácia durou 31 dias e mais de 7.600 km, passando pelo Lago Bled, as Cascatas de Plitvice e a costa dalmática. O objetivo era simples: trocar os museus pelo ar livre e aproveitar cada dia entre praias escondidas, lagos de água cristalina e estradas com vista para o Adriático.
Para nós a road trip começa no momento em que se fecha a bagageira. Desta vez o arranque foi feito em Lisboa com os olhos postos no Lago Bled, na Eslovénia, que serviu como o nosso quartel-general para explorar a região. Decidimos também incluir algumas travessias de ferry ligando pontos do mapa que de outra forma seriam difíceis de alcançar.
Claro que nenhuma aventura destas se faz sem imprevistos. Tivemos a nossa dose de desafios, desde falhas mecânicas a equipamentos que decidiram deixar de funcionar no pior momento, mas no final de contas foram esses episódios que deram mais cor à viagem. Fizemos questão de manter o foco no que importava e escolhemos atividades que puxassem por nós e que fossem divertidas, entre a descoberta de praias escondidas e trilhos de montanha.
Esta road trip pela Eslovénia e Croácia foi memorável para toda a família. A mistura ideal entre improviso e descoberta, com muito tempo de qualidade em conjunto. Apesar dos imprevistos, as memórias que trouxemos connosco valeram bem cada quilómetro percorrido nesta grande aventura europeia

Roteiro da Road Trip e Resumo
I. A caminho da Eslovénia
Dia 1: Lisboa – Madrid
A ideia inicial era ir de Lisboa a Barcelona de uma só vez, mas depressa percebemos que 1.200 km (11 horas ao volante) seria esticar demasiado a corda logo a abrir. Dividimos o mal pelas aldeias e ficámos por Madrid.

Saímos por volta das 9h30, após deixarmos o nosso cão no hotel canino. A primeira paragem digna desse nome foi em Badajoz, à hora de almoço, num parque junto ao Aqueduto dos Milagres (Acueducto de los Milagros). Foi a pausa perfeita para um piquenique e para esticar as pernas antes dos 400 km finais até Madrid. Chegámos por volta das 17h e instalámo-nos no B&B Hotel Madrid Arganda, escolhido pela facilidade de estacionamento e acesso às vias principais.
Dia 2: Madrid – Barcelona
No segundo dia de viagem ainda tínhamos uns 600 km pela frente, por isso saltámos da cama bem cedo com o objetivo de chegar a Barcelona a tempo de visitar o Parque Güell (Park Güell). A estrada foi pacífica e fizemos uma paragem em Saragoça para almoçar.

Por volta das 16h já estávamos a entrar em Barcelona e fomos diretos para o parque de estacionamento B:SM Travessera de Dalt, muito prático para chegar num salto ao Parque Güell. Passámos o final da tarde a apreciar a arquitetura incrível do Gaudí e a aproveitar as vistas sobre a cidade. O ideal é reservar os bilhetes online com antecedência para garantir a entrada. Depois disso seguimos para o nosso hotel, o B&B HOTEL Barcelona Sant Cugat (direcções), para descansar antes de apanhar o ferry.
Dia 3: Barcelona – Génova (Ferry)
Neste dia o despertador tocou cedo, pois tínhamos de estar no porto de Barcelona às 8h00 para o check-in do ferry da GNV. A partida estava prevista para as 12h00, mas com um carro cheio de tralha e logística de família, preferimos não arriscar. O processo foi mais simples do que esperávamos: bastou seguir as indicações para o terminal da GNV, entrar na fila de embarque e aguardar pela nossa vez de subir a rampa para o interior do navio.

Esta travessia acabou por ser uma das melhores decisões da viagem. Poupar 860 km de condução, que seriam feitos principalmente em autoestradas francesas caras e com muito trânsito, deu-nos o balão de oxigénio de que precisávamos após os primeiros dias intensos.
O ferry não era propriamente um cruzeiro de luxo, mas para o que precisávamos era perfeitamente funcional. Optámos por uma cabine interior sem janelas, que era a opção mais económica e serviu perfeitamente para o propósito: ter um sítio para dormir descansados. Para manter o orçamento sob controlo, levámos a nossa própria comida e transformámos o convés superior na nossa sala de jantar particular.

Ver o pôr do sol em pleno mar, com o céu a mudar de cor enquanto o barco avançava calmamente, foi um dos momentos mais relaxantes de todo o roteiro. Foi o dia em que o “modo férias” ativou verdadeiramente.
Dia 4: Génova – Bled
Por volta das 6h00, o aviso sonoro na coluna do quarto acordou-nos. Tivemos de sair rapidamente da cabine e dirigir-nos para o ponto de encontro designado para quem viajava com carro. É ali que todos os condutores e famílias aguardam até que os funcionários deem ordem para descer às garagens, um processo que exige alguma paciência enquanto o navio atraca.

Às 7h30 já estávamos a sair do ferry, no Porto de Génova. O desembarque foi rápido, mas mal saímos da zona portuária percebemos o que nos esperava. Por estarmos no pico da época alta, as estradas italianas estavam completamente paradas.
Para atrasar ainda mais, com a confusão do trânsito e os nervos da situação, acabámos por falhar uma saída da autoestrada. Esse erro custou-nos caro e fez-nos perder ainda mais tempo num dia que já estava a ser difícil.

O que deveria ter sido uma viagem de 6h30 até ao Camping Šobec, em Lesce, tornou-se num dia inteiro de engarrafamentos. Só conseguimos entrar no parque às 19h00, exaustos e ainda com a tenda por montar. Foi o dia mais cansativo da viagem, mas o cenário do parque e a sensação de termos chegado à Eslovénia compensaram o esforço.

II. Road Trip na Eslovénia – 10 Dias
Depois da odisseia do trânsito em Itália, acordar no Camping Šobec foi como entrar num mundo novo. A Eslovénia é um país onde o verde domina tudo e as distâncias curtas permitem usar um único local como base. Decidimos que Bled seria o nosso quartel-general para estes 10 dias, o que nos evitou a chatice de andar a montar e desmontar a tenda a cada dois dias.
O nosso roteiro foi pensado para equilibrar o descanso com a atividade física, aproveitando o que o país tem de melhor: lagos, trilhos de montanha e aldeias que parecem paradas no tempo. Estávamos prontos para trocar as autoestradas pelo ar puro dos Alpes Julianos.
Dia 5: Velika Planina
Para o nosso primeiro dia completo na Eslovénia, escolhemos Velika Planina. O que nos atraiu neste lugar foi o facto de ser um dos poucos povoados de pastores de alta montanha que ainda restam na Europa, com as suas casas de madeira únicas e uma cultura que se mantém viva. Além da beleza do cenário, escolhemos este destino por ficar relativamente perto do campismo e por ser fácil de chegar e estacionar.

A viagem a partir do Camping Šobec demorou cerca de uma hora. Foi um percurso tranquilo e, ao chegarmos, confirmámos que é muito simples estacionar no parque junto ao teleférico. Para facilitar a subida, optámos pelo bilhete de família que incluía as viagens de ida e volta tanto no teleférico como na cadeira elevatória (chairlift). Esta foi uma excelente decisão, pois permitiu-nos poupar energias para a exploração no topo da montanha.

A subida na cadeira elevatória foi uma mini-aventura para os miúdos e, lá em cima, as colinas verdes a perder de vista pareciam saídas de um postal. Embora o trilho de 8 km fosse largo e seguro, com piso de gravilha, tinha algumas secções íngremes que se tornaram exigentes. O que ajudou a manter o ritmo e a motivação, especialmente da mais nova, foi a quantidade de animais pelo caminho. Entre vacas a pastar livremente e pássaros, os miúdos estiveram sempre entretidos.

Aproveitámos para fazer um piquenique rodeados pelas montanhas, a pausa ideal para repor forças antes de explorarmos a aldeia típica e a pequena capela. Foi a mistura perfeita entre exercício e natureza para o nosso arranque na Eslovénia, terminando com o regresso calmo no teleférico a recordar a experiência.
Dia 6: Lago Bohinj e a Aventura do Barco Insuflável
Depois do esforço físico em Velika Planina, o plano para o sexto dia era mais relaxado. O nosso objetivo era o Lago Bohinj, que nos atraiu por ser muito menos turístico e mais selvagem do que o mediático Lago Bled. É o sítio ideal para quem quer contacto direto com a natureza sem as multidões.
A viagem a partir do Camping Šobec é curta, cerca de 30 a 40 minutos. Em Bohinj, a regra para o estacionamento é simples: convém chegar cedo para garantir lugar nos parques mais próximos da margem e contar com o facto de serem todos pagos. Como levávamos o nosso barco insuflável, era importante estacionar perto da água para facilitar o transporte do equipamento.

A grande aventura do dia foi a estreia do barco de 40€ que tínhamos comprado no Aldi. Não sabíamos bem como se ia comportar naquelas águas, mas a verdade é que superou as expectativas. Levar um insuflável para Bohinj permitiu-nos explorar o lago de uma perspetiva única, longe das praias principais. Remar naquelas águas cristalinas, com as montanhas dos Alpes Julianos a refletirem-se no espelho de água, foi um dos momentos mais memoráveis da viagem. Os miúdos adoraram a sensação de exploração e de podermos parar em pequenas enseadas de pedras onde só se chega por água.

O dia foi passado entre mergulhos, a água é quente e convida a ficar lá dentro, e piqueniques na margem. É um local onde o tempo parece correr mais devagar. Para quem viaja com crianças e quer evitar a confusão de Bled, Bohinj é paragem obrigatória.
Dia 7: As 50 curvas de Vršič e o verde de Zelenci
No sétimo dia a nossa vontade de aventura levou-nos até ao deslumbrante Vršič Pass, nos Alpes Julianos. A viagem demorou cerca de uma hora e foi uma experiência de condução única. São 50 curvas em cotovelo a serpentear pela encosta da montanha. Foi um desafio mas a paisagem manteve-nos maravilhados durante toda a subida. Quando finalmente chegámos ao topo do passo de montanha fomos brindados com vistas de cortar a respiração que fizeram cada curva valer a pena.

Encontrar lugar para estacionar no topo foi a parte mais complicada. Como não chegámos muito cedo a maior parte dos lugares já estava ocupada e tivemos de dar algumas voltas antes de aparecer uma vaga. Foi um bocado caótico mas acabámos por conseguir estacionar e partimos para uma caminhada circular de 5,4 km em redor de Vršič. O trilho foi um sucesso total e a nossa filha de 5 anos aguentou-se que nem uma campeã, apesar dos 350 metros de desnível positivo. Encontrámos o sítio perfeito para um piquenique com uma vista panorâmica incrível para as montanhas.


Na descida parámos na Capela Russa, dedicada a São Vladimir. Este memorial homenageia os prisioneiros de guerra russos que construíram esta estrada durante a Primeira Guerra Mundial. É um sítio pacífico, aninhado entre as árvores, que convida à reflexão. Logo a seguir encontrámos uma joia escondida: a Reserva Natural de Zelenci (Naravni rezervat Zelenci). Com um estacionamento muito conveniente ali perto, as águas verde esmeralda e a paz absoluta tornaram esta paragem obrigatória para esticar as pernas.

Terminámos o dia no Camping Šobec a relaxar junto ao lago do parque enquanto os miúdos aproveitavam a água. Se explorarem esta região o Vršič Pass é obrigatório, mas lembrem-se de chegar cedo para o estacionamento e não se esqueçam do farnel para aproveitar as vistas imbatíveis.
Dia 8: Diversão em Família e Descanso no Camping Sobec
Ao entrarmos na segunda semana da nossa road trip, decidimos abrandar o ritmo e aproveitar um dia de descanso muito necessário no Camping Sobec. Depois de uma semana repleta de aventuras e quilómetros, era altura de ficar parados: sem mala a desfazer, sem GPS a calcular rotas, sem carro. Só nós, a natureza e o som da água.
O camping tinha tudo o que precisávamos para um dia verdadeiramente relaxante: um lago tranquilo e um rio com uma praia de pedras onde os miúdos se atiraram à água mal chegámos. Enquanto eles saltavam e salpicavam sem parar, nós estendemos as toalhas ao sol e respirámos fundo, uma das melhores sensações desta viagem.

A verdade é que este dia de pausa chegou mesmo a tempo. As últimas noites tinham sido difíceis: barulho no camping até tarde, sono interrompido, e aquele cansaço acumulado que começa a pesar nas pernas e no humor. Precisávamos de recarregar as baterias a sério, e o Sobec deu-nos exatamente isso.

Viemos preparados com jogos e brinquedos, e os miúdos aproveitaram cada minuto: a saltar pedras para o rio, a explorar a margem rochosa, a inventar brincadeiras que só eles entendem. Houve risos, houve aqueles momentos de silêncio que só acontecem quando toda a gente está contente.
Para nós, os pais, foi um dia de sentar, olhar, e não fazer nada em particular, o que, quando se viaja com filhos, já é um feito e tanto.
No final do dia, com os miúdos exaustos e sorridentes, sentimos que tínhamos recuperado a energia para continuar. O resto da aventura podia esperar até amanhã. Por hoje, foi perfeito assim.
Dia 9: A Verdadeira Experiência no Lago Bled
O dia finalmente chegou. Era altura de arrumar a tenda, fazer as malas e seguir para o Camping Bled, um sítio pelo qual já nos tínhamos apaixonado numa viagem anterior de Interrail. Depois da experiência menos positiva no Sobec, estávamos ansiosos por encontrar um lugar tranquilo: um bom espaço para a tenda, casas de banho sem filas e, acima de tudo, noites silenciosas.

Esta era a nossa segunda vez no Lago Bled, mas tínhamos contas por saldar. Na visita anterior não tínhamos conseguido chegar à ilha icónica, por isso desta vez viemos preparados: trouxemos o nosso barco insuflável, tal como tínhamos feito no Lago Bohinj. Mal acabámos o check-in e montámos a tenda, não perdemos mais um minuto. Enchemos o barco e fomos diretos para a água.

O tempo estava absolutamente perfeito: sol, calor e um céu tão limpo que as águas esmeralda do Bled pareciam ainda mais convidativas do que na memória. Tal como no Bohinj, a água estava quente, ideal para nadar e brincar. Depois de uma remada tranquila pelo lago, chegámos à ilha e subimos até ao topo, onde nos esperavam vistas deslumbrantes sobre a água e os Alpes ao fundo.

Com a alma cheia daquelas vistas, aproveitámos para fazer um piquenique ali mesmo, dentro do barco, a flutuar no meio do lago. Foi um momento simples e completamente especial. Satisfeitos com o dia, remámos de volta à margem e regressámos ao camping.

Depois do jantar, fomos dar um passeio tranquilo para ver o lago à noite. As luzes da ilha refletiam-se na água calma, criando uma atmosfera quase irreal. O silêncio era total, pontuado apenas pelo farfalhar suave das árvores e pelo som distante dos patos. Ficámos por ali um bom bocado, sem pressa, a absorver aquela beleza serena antes de regressarmos ao camping.
Dia 10: Amanhecer no Lago Bled e Caminhada no Soteska Vintgar
Na nossa visita anterior ao Lago Bled, tínhamos vivido a magia de um amanhecer sobre o lago: um momento tão sereno que ficou gravado na memória. Desta vez, estávamos mortinhos por partilhar essa experiência com os miúdos, na esperança de que eles conseguissem sentir a mesma beleza calma da manhã em Bled.

Pusemos o despertador às 6h, levantámos os miúdos em silêncio e fomos diretos para o lago. Quando os primeiros raios de luz espreitaram por cima das montanhas e se refletiram nas águas paradas, pareceu que tínhamos o mundo inteiro só para nós. Ver o nevoeiro a subir enquanto o dia nascia foi a forma perfeita de começar a aventura.
Depois de absorvermos aquele amanhecer em paz, seguimos para o destino seguinte: Soteska Vintgar, um desfiladeiro deslumbrante a poucos quilómetros de Bled. Tínhamos duas opções para lá chegar: ir de carro e lidar com estacionamento pago e confusão, ou fazer uma caminhada cénica de 3 km a partir do Camping Bled e apanhar um shuttle gratuito até à entrada. Escolhemos a caminhada, aproveitando o ar fresco da manhã e a paisagem rural eslovena. O percurso demorou menos de uma hora e o shuttle foi rápido.

Se estiveres a planear visitar o Soteska Vintgar, reserva o horário e compra os bilhetes com antecedência. À chegada entregam-te um capacete e, pouco depois, já estás dentro do desfiladeiro. Os caminhos de madeira serpenteiam entre falésias imponentes e sobre águas azul-turquesa, com cenários de postal a cada curva. É um passeio tranquilo e muito adequado para famílias. Ao fim de cerca de uma hora, chegámos à saída com vontade de repetir.

Mas a nossa aventura ainda não tinha terminado! No final do desfiladeiro, podes escolher entre dois trilhos: o Trilho do Rio das Árvores (The River of Trees Trail) e o Trilho do Rei de Triglav (The King of Triglav Trail). Optámos pelo Trilho do Rio das Árvores, um percurso de 3 km que nos levaria de volta à entrada, onde poderíamos apanhar o shuttle de regresso a Bled. Foi um caminho lindíssimo através da floresta, com o som do rio a acompanhar-nos durante todo o percurso.

Dia 11: Castelo de Bled e Tobogganing

Decidimos começar o dia com calma. Depois de um pequeno-almoço tranquilo, partimos a pé para o Castelo de Bled, numa caminhada de cerca de 3 km que demorou uma hora. O percurso serpenteia por paisagens belíssimas e vistas sobre o lago que tornaram a subida tão agradável quanto o destino. O castelo em si valeu a visita, embora os preços dos bilhetes nos tenham parecido um pouco elevados para o tempo de visita. Ainda assim, as oportunidades fotográficas sobre o Lago Bled são das melhores da região e compensaram tudo.

No caminho de descida para a vila de Bled, parámos para almoçar, e foi aí que aconteceu um incidente inesperado: o meu filho foi picado por uma vespa. Aquela zona tem, de facto, bastantes vespas, por isso é algo a que se deve ter atenção. Felizmente, os funcionários do café ofereceram logo gelo para aliviar a dor e ele sentiu-se melhor pouco depois.
A nossa aventura seguinte foi o tobogganing em Straža Bled, mas primeiro aproveitámos para passear pela vila e mimarmo-nos com uns gelados deliciosos. Quando finalmente chegámos a Straža Bled, deparámo-nos com uma fila longa; demorámos cerca de 30 minutos até conseguirmos apanhar o teleférico para subir. Mas a sorte estava do nosso lado: mesmo antes de entrarmos na parte final da fila, uns turistas simpáticos deram-nos quatro bilhetes com uma descida cada, o que significava que podíamos todos repetir a dose mais tarde!

A subida do chairlift com o calor que estava foi um bocado suada, mas a adrenalina da descida na pista compensou tudo. Em cerca de um minuto chegámos ao fundo com um sorriso nos ouvidos e mortinhos por repetir. E graças aos bilhetes extra, foi exatamente o que fizemos.
Depois de um dia tão cheio, sentíamo-nos simultaneamente satisfeitos e um pouco tristes: era o nosso último dia em Bled. A vila tinha sido uma das partes mais inesquecíveis de toda a viagem e não estávamos mesmo preparados para ir embora. Encerrámos o dia com mais um mergulho no lago, a aproveitar cada minuto até ao fim.

III. Road Trip na Croatia – 15 Dias
Deixar a Eslovénia para trás nunca é fácil, mas a curiosidade pelo que a Croácia tem para oferecer ajuda a atenuar a saudade das montanhas. Esta nova etapa da nossa viagem marca o momento em que trocamos a serenidade dos lagos e dos picos alpinos por uma energia diferente, onde a história das cidades se mistura com paisagens naturais igualmente surpreendentes.
A viagem entre os dois países é relativamente curta, o que nos permitiu gerir o tempo com calma e aproveitar o percurso para descobrir lugares que ficam fora das rotas mais rápidas das autoestradas. Entrar na Croácia é sentir uma mudança imediata na arquitetura e no ritmo de vida, preparando nos para as próximas duas semanas de exploração por terras croatas.
Dia 12: Bled – Zagreb, com paragem no Passadiço nas Copas das Árvores
A road trip tinha de continuar! Era o dia de dizer adeus a Bled. Depois de uma boa noite de sono, acordámos cedo e começámos a carregar o carro para a etapa seguinte da nossa viagem. No entanto, quando tentámos ligar o motor, percebemos que a bateria estava descarregada. Com uma longa viagem pela frente, não era bem este o começo que esperávamos.
Felizmente, os nossos vizinhos de campismo foram incrivelmente amáveis. Um emprestou-nos cabos e outro trouxe o carro para podermos dar o “encosto”. Problema resolvido! Percebemos que as luzes interiores tinham estado a consumir a bateria enquanto as portas estiveram abertas no acampamento, por isso garantimos que ficavam bem desligadas antes de seguirmos caminho.
Com este percalço ultrapassado, estávamos agora a embarcar em 15 dias inesquecíveis de road trip pela Croácia.

Fizemo-nos à estrada em direção à paragem seguinte: o Passadiço nas Copas das Árvores (Pot med krošnjami) em Pohorje. Foi um desvio considerável, cerca de 200 km e duas horas de viagem, mas estávamos entusiasmados por experimentar algo único e inesquecível.

Este passadiço é uma caminhada elevada de 1 km que sobe até uma altitude de 1.517 metros, oferecendo vistas de tirar o fôlego sobre a paisagem circundante. Lá no topo, não resistimos a pagar os 2€ extra por pessoa para descer pelo emocionante escorrega de 62 metros. Foi super divertido e, embora tenha durado apenas uns segundos, valeu totalmente a pena, mesmo que tenhamos ficado todos um bocadinho tontos depois!

Depois de um almoço rápido para repor energias, continuámos caminho até Zagreb, com mais 150 km (cerca de uma hora e meia) pela frente. Acabámos por chegar ao Camping Zagreb, onde ficámos contentes por encontrar um excelente lugar para acampar e um acesso fácil ao centro da cidade. No fundo, foi um dia cheio de momentos inesperados, vistas panorâmicas e novas experiências. Foi a forma perfeita de manter bem vivo o nosso espírito de viagem.
Dia 13: Explorar Zagreb e Samobor
Para este dia, um itenerário mais descontraído. Começámos com uma manhã relaxada e depois seguimos para o centro de Zagreb, onde estacionámos na Garagem Langov Trg. Este parque estava perfeitamente localizado perto da zona histórica, o que facilitou muito a exploração a pé. O trajeto de carro foi rápido e demorou apenas cerca de meia hora.

Dedicámos cerca de duas horas a explorar os principais pontos da cidade e a verdade é que este tempo foi suficiente para absorver a essência do centro. Começámos por passar pela histórica Porta de Pedra e fomos seguindo até à Igreja de São Marcos. Esta última foi, sem dúvida, o ponto alto do passeio. O telhado de azulejos coloridos é ainda mais bonito ao vivo do que nas fotografias e ficámos ali algum tempo a apreciar os detalhes.
Continuámos o nosso caminho pela imponente Catedral de Zagreb, que infelizmente estava em obras de renovação, o que nos impediu de ver o interior. Ainda assim, a força da estrutura impressiona quem passa. Para fechar este roteiro pelo centro, passámos pelo bulício do Mercado Dolac e atravessámos o curioso Túnel Grič, que tem uma atmosfera muito própria. Foi um passeio equilibrado que nos deu uma imagem muito sólida e autêntica da capital croata.

Depois de explorarmos a capital, decidimos visitar uma autêntica joia escondida nos arredores de Zagreb: a charmosa vila de Samobor. Encontrar estacionamento perto do centro foi fácil, mas optámos por um lugar um pouco mais afastado para conseguir uma tarifa mais barata. Como tínhamos tempo de sobra, aproveitámos a oportunidade para caminhar um pouco.
Seguimos em direção à Praça do Rei Tomislav e fomos aproveitando as vistas ao longo do cénico passeio Samoborska šetnica. O centro histórico tinha um ambiente relaxado e adorável, por isso deixámo-nos andar sem pressas pelas ruas antigas e a descontrair no parque. Foi o momento ideal para desligar e absorver a tranquilidade da vila.
Regressámos ao Camping Zagreb já ao final do dia. Sabíamos que na manhã seguinte nos esperava uma viagem longa até Omiš, com paragem em Split, por isso aproveitámos para descansar e preparar tudo para a etapa seguinte.
Dia 14: Zagreb – Omiš, com paragem em Split
Com a nossa rotina de road trip já bem afinada, acordámos cedo como sempre para preparar uma das viagens de carro mais longas da nossa aventura: de Zagreb até Omiš. Depois de um pequeno-almoço rápido e de arrumar tudo no carro, todos se acomodaram com os essenciais de qualquer viagem: snacks, playlists e alguns jogos para manter os miúdos entretidos pelo caminho. Com 450 km pela frente, cerca de 4 horas de condução maioritariamente por autoestrada, estávamos prontos para devorar quilómetros, especialmente com a paragem planeada em Split para quebrar a viagem.

Palácio de Diocleciano em Split (43°30’29.6″N 16°26’24.7″E)
O tempo soalheiro e quente deu-nos as boas-vindas assim que entrámos em Split, por volta das 13h00. Encontrar estacionamento foi um pequeno desafio, com os parques espalhados pela cidade todos cheios, mas acabámos por conseguir um lugar na Public Garage Vila Drazanac. Embora as tarifas fossem altas, a conveniência compensou o preço, já que estávamos apenas a uma curta caminhada de 300 metros da zona histórica.
Passámos um par de horas a deambular pelo centro histórico de Split, explorando o Palácio de Diocleciano, as antigas portas da cidade e aproveitando para dar um passeio pela animada zona da Riva, junto à água. Apesar da confusão inicial com o estacionamento, o charme vibrante e a história milenar de Split fizeram com que cada minuto valesse a pena.

Sair de Split trouxe consigo mais uma dose de trânsito, mas ao final da tarde já estávamos a chegar ao Camp Galeb, em Omiš. Ainda tivemos luz do dia suficiente para montar a nossa tenda com calma e aproveitar o jantar.

O parque de campismo, situado mesmo em cima da praia, oferecia vistas deslumbrantes para a Ilha de Brač, um destino que planeávamos visitar em breve. Embora as instalações fossem um pouco mais básicas do que esperávamos face ao preço, a localização imbatível junto ao Adriático compensou tudo. Foi o final perfeito para um longo dia de estrada.

Dia 15: Dia de Descanso em Omiš
Depois de vários dias na estrada, estávamos mais do que prontos para um dia tranquilo à beira-mar. Tínhamos planeado ir à praia de Punta Rata, mas como decidimos visitar a Ilha de Brač em breve, acabámos por saltar essa paragem. Também tínhamos esperança de visitar o Skywalk Biokovo, mas infelizmente já estava esgotado.
Dito isto, se não tiveres planos para as ilhas, a Praia de Punta Rata é obrigatória: o estacionamento é caro e a praia fica bastante concorrida, mas é uma das melhores da região e vale mesmo a pena.
Por sorte, a praia do Camp Galeb acabou por ser exatamente o que precisávamos. Com as suas águas calmas e mornas e o tempo soalheiro, não foi preciso ir mais longe para aproveitar o dia. Foi o cenário ideal para recarregar baterias sem pressas.

Foi o dia perfeito para descontrair e ter uma praia privada mesmo ali no parque de campismo tornou tudo ainda melhor. Passámos as horas entre mergulhos, a apanhar sol e a aproveitar os prazeres simples de um dia de descanso à beira-mar depois de tanta aventura.
Dia 16: Explorar Omis

No nosso décimo sexto dia, partimos para explorar a charmosa vila de Omiš. Depois do pequeno-almoço, seguimos em direção ao centro histórico e subimos até à histórica Fortaleza Mirabela (Peovica). Embora a taxa de entrada tenha sido um pouco elevada, as vistas panorâmicas lá do topo valeram totalmente a pena, oferecendo uma perspetiva abrangente sobre a vila e toda a linha costeira.
Depois de apreciarmos a paisagem, passeámos pelas belas ruas da zona antiga, aproveitando para admirar o traçado medieval e todo o charme costeiro que a cidade emana.

Dali, seguimos para a Praia de Omiš para aproveitar mais um pouco de sol e mar antes de regressarmos ao parque, onde terminámos a tarde a relaxar na nossa praia privada. À medida que o sol se punha, decidimos sair para viver Omiš à noite e a verdade é que a vila não desiludiu.

O ambiente transforma-se completamente quando as luzes se acendem e refletem nas escarpas de pedra. As ruas ganham uma energia contagiante, com as esplanadas cheias e aquele burburinho típico das noites quentes da Dalmácia. Foi o fecho perfeito para um dia dedicado a explorar todos os recantos desta antiga cidade de piratas.

A vila tornou-se ainda mais mágica sob as luzes da noite, a forma perfeita de passarmos a nossa última noite em Omiš. Como no dia seguinte partiríamos em direção a Dubrovnik, aproveitámos cada momento desta despedida para gravar bem na memória o ambiente único daquelas ruas.
Dia 17: Omis – Dubrovnik
Depois de tudo arrumado, partimos em direção a Dubrovnik. Era o ponto mais distante de Portugal em toda a viagem e, a par de Plitvice, um dos destinos fundamentais desta road trip. Mal sabíamos nós, no entanto, que o que aconteceu neste dia iria complicar os nossos planos para explorar a cidade.

A viagem de 200 km (cerca de 3 horas) correu sem problemas. Fizemos uma paragem na Ponte de Pelješac para almoçar e aproveitar as vistas incríveis. Esta ponte foi uma lufada de ar fresco, pois permitiu-nos chegar ao sul da Croácia sem termos de atravessar a fronteira com a Bósnia, o que poupou imenso tempo e burocracia.Ao início da tarde, chegámos ao nosso parque de campismo, o Camping Solitudo, onde tivemos a liberdade de escolher o nosso próprio lugar. Encontrámos um espaço amplo, ideal para estender a roupa e pôr tudo em ordem.

Depois de termos tudo montado, fomos até à Praia de Copacabana, que ficava a uns meros 400 metros a pé. A água quente e cristalina estava perfeita, por isso passámos a tarde a relaxar e a dar mergulhos. Terminámos o dia entusiasmados com o nosso primeiro dia completo em Dubrovnik.
No entanto, a noite em Zagreb acabou por tomar um rumo que não estava nos nossos planos. Logo após o jantar, a nossa filha bebeu a água demasiado depressa e a digestão acabou por parar. O mal-estar foi imediato e ela acabou por vomitar, o que transformou o final do dia num momento de algum stress e preocupação que não tínhamos imaginado.
Dia 18: Dubrovnik ou não Dubrovnik?
Depois da noite difícil, não tínhamos a certeza de como a manhã iria correr e, infelizmente, não começou nada bem. A nossa filha continuava sem conseguir segurar comida ou líquidos, por isso tivemos de ser pacientes. A meio da manhã, decidimos separar-nos: a minha mulher e o meu filho seguiram viagem para explorar Dubrovnik enquanto eu fiquei no parque de campismo com a nossa pequena, com a esperança de que ela começasse a sentir-se melhor em breve.

Enquanto a minha mulher e o meu filho aproveitavam o dia em Dubrovnik, mantendo o contacto e dando notícias com frequência, eu passei um dia calmo no parque com a nossa filha, que felizmente começou a melhorar à medida que as horas passavam. Pela tarde, o calor estava intenso, por isso decidimos refrescar-nos com um curto passeio até à praia, o que acabou por ser uma ótima escolha. O ar fresco e a água calma pareceram animá-la e, pouco depois, a minha mulher e o meu filho regressaram para se juntarem a nós.


Com a nossa filha a sentir-se visivelmente melhor, decidimos arriscar e fomos todos juntos até Dubrovnik para um final de dia tranquilo. Passeámos pela Cidade Velha, maravilhados com o seu charme único, e conseguimos encontrar um pequeno restaurante que tinha opções leves e adequadas para a dieta dela.

Embora o dia tenha começado de forma difícil, acabou em grande. Todos conseguimos sentir um pouco da magia de Dubrovnik e as ruas bonitas e os locais históricos da cidade deixaram-nos com vontade de ver mais.
Dia 19: Dubrovnik – Brac

Apesar de termos adorado o Camping Solitudo em Dubrovnik, só tínhamos planeado ficar duas noites, o que não nos deu tempo suficiente para explorar a cidade a fundo. Mas a viagem tem de continuar!
Nesse dia, o destino era a ilha de Brač. Tínhamos reservado o ferry de Makarska para Sumartin, uma viagem de uma hora, por isso acordámos cedo para a condução de duas horas e meia até Makarska. Assim que chegámos, estacionámos na fila para o barco e tudo correu sem problemas. Foi a nossa segunda viagem de ferry nesta road trip, mas este barco era muito mais pequeno que o anterior, pelo que reservar com antecedência foi fundamental.

A nossa paragem seguinte foi o Camping Aloa, um sítio espetacular mesmo em cima da água e com uma praia privada. Depois de montarmos o acampamento, com uma vista incrível para o Adriático e para a ilha de Hvar, fomos refrescar-nos com um mergulho e aproveitámos a paisagem. Deitámo-nos cedo, entusiasmados com a aventura do dia seguinte na famosa praia de Zlatni Rat.

Dias 20 e 21: Zlatni Rat

Os Dias 20 e 21 da nossa viagem transformaram-se num refúgio de sonho na Zlatni Rat, sem dúvida uma das praias mais bonitas da Europa. A água, como se pode ver pelas fotografias, estava calma, cristalina e quente. Com o tempo perfeito do nosso lado, aproveitámos cada momento ao máximo. Por 10 € por dia, estacionámos logo ao lado da praia, levámos comida e passámos dois dias inteiros apenas a relaxar, a nadar e a apreciar as vistas.

Uma das melhores coisas da Zlatni Rat é a sua forma única. Quando o vento sopra mais forte, basta mudar de lado na língua de areia para encontrar água calma. Estes dias na Zlatni Rat fizeram com que a viagem de ferry e todo o caminho até lá valessem totalmente a pena. A ilha de Brač roubou mesmo os nossos corações!
Dia 22: Brač – Korana
O Dia 22 foi o momento de levantarmos acampamento e nos despedirmos da ilha de Brač. Acordámos cedo e começámos a arrumar o carro, fechando o nosso ciclo no Camping Aloa. Adorámos este parque; apesar de não ter as casas de banho mais modernas, proporcionou-nos uma experiência única. Para quem planeia vir para aqui, fica só o aviso: esta zona é muito ventosa, por isso convém garantir que a tenda está bem fixa!
Mesmo com a logística da partida, ainda conseguimos dar um último mergulho na praia, um último “gosto” do paraíso antes de partirmos. Depois, seguimos para Supetar para apanhar o ferry para Split, mas fomos apanhados de surpresa por alguma confusão.

Inicialmente, tínhamos tentado reservar o barco de Sumartin, mas já estava cheio, por isso optámos pelo de Supetar e comprámos os bilhetes online para um horário específico. O que não sabíamos era que, apesar de termos hora marcada no bilhete, o embarque era feito por ordem de chegada. Como chegámos mais tarde, acabámos por ficar no fim da fila, o que resultou numa espera frustrante de três horas. Lição aprendida: para o ferry de Supetar, chegar cedo é essencial!

Escolhemos o Kamp Korana pelos seus preços acessíveis, pelas ótimas críticas e pela proximidade ao Parque Nacional dos Lagos de Plitvice, a nossa próxima grande paragem. Este parque de campismo permite que cada um escolha o seu próprio lugar, por isso escolhemos um espaço convenientemente perto das casas de banho. As instalações aqui eram excelentes para o preço, um grande achado que tornaria a exploração de Plitvice no dia seguinte muito mais fácil.
Assim que finalmente conseguimos embarcar, tudo correu bem e seguimos para Split. A partir daí, tínhamos pela frente uma condução de 270 km (cerca de 3 horas) até ao Kamp Korana. Chegámos pouco antes do anoitecer e, felizmente, ainda tínhamos luz suficiente para montar a nossa tenda.
Dia 23: Visita ao Parque Nacional dos Lagos de Plitvice e Grutas de Barać

O Dia 23 era o momento há muito esperado da nossa road trip: a visita ao Parque Nacional dos Lagos de Plitvice (Plitvice Lakes National Park). Tínhamos reservado com antecedência os bilhetes para a entrada das 9:00 da manhã, de forma a evitar as multidões e o calor do meio-dia, o que elevou as nossas expectativas ao máximo. Desde o momento em que chegámos e vislumbrámos a enorme cascata, cada quilómetro que conduzimos pareceu valer a pena. Encontrámos estacionamento perto da entrada, que custou 16 €, um pouco caro, mas a proximidade era conveniente.


Escolhemos o Programa C, um percurso de 8 km que inclui tanto um passeio de barco panorâmico como um autocarro elétrico, permitindo-nos explorar tanto os Lagos Superiores como os Inferiores e ver várias cascatas deslumbrantes pelo caminho. A caminhada foi cansativa, mas absolutamente recompensadora, pois as paisagens eram simplesmente deslumbrantes. Se visitarem a Croácia, Plitvice é verdadeiramente um destino obrigatório.

Terminámos a nossa caminhada por volta das 14:30 e, com algum tempo livre, decidimos visitar as Baraćeve špilje (Grutas de Barać), uma gruta única ali perto. No exterior, o espaço oferecia atividades divertidas para crianças e um pequeno parque infantil, o que o tornava muito acolhedor para famílias. Depois de uma curta espera, juntámo-nos a uma visita guiada quase privada à gruta, com apenas outro casal. A gruta em si era fascinante, embora um pouco curta e cara, mas concordámos que valeu bem a pena. Foi o final perfeito para um dia inesquecível e um ponto alto garantido da nossa road trip!

Dia 24: Korana – Umag com paragem nas Cascatas de Rastoke

O Dia 24 marcou mais uma etapa da nossa road trip em família, ao levantarmos acampamento do Kamp Korana em direção a Umag, com uma paragem divertida pelo caminho. A condução foi de cerca de 270 km (perto de 3 horas e 20 minutos) e planeámos dividi-la com uma visita rápida às Cascatas de Rastoke. Esta pequena e encantadora vila, com as suas belas quedas de água e moinhos de água tradicionais, pareceu um desvio mágico e acrescentou uma memória adorável à nossa viagem.
O Camping Park Umag foi uma experiência totalmente nova, é como uma pequena cidade apenas para campistas! Tinha tudo o que precisávamos e muito mais, desde supermercados a acesso à praia e piscinas. O ponto alto para os nossos filhos? O parque aquático a poucos passos do nosso lugar, com imensos escorregas e diversões aquáticas que os mantiveram entretidos durante horas.

Depois de montarmos a nossa tenda, mergulhámos diretamente numa tarde relaxante junto à piscina, a descontrair das viagens. Mais tarde, tratámos da tarefa da roupa suja e, ao contrário de outros parques de campismo, Umag tinha um sistema de pagamento contacless super conveniente que tornou tudo mais fácil (e um pouco mais barato) para termos as nossas roupas limpas outra vez.

Com a chegada a Umag, entrámos oficialmente na região da Ístria, o que marcou a reta final da nossa road trip, mas também o início de uma nova aventura. Estamos entusiasmados por explorar a zona, mas, por enquanto, o foco era aproveitar este parque de campismo tão familiar e prepararmo-nos para os próximos dias nesta parte deslumbrante da Croácia!
Dia 25: Pula e Rovinj

A nossa aventura na Ístria começou com uma visita a Pula, a apenas uma hora de condução do nosso parque de campismo. Depois de estacionarmos em Karolina, iniciámos o dia a explorar o Anfiteatro de Pula, uma peça impressionante da história antiga que nos fez a todos imaginar a vida nos tempos romanos. A partir daí, passeámos pela encantadora Cidade Velha, parando para ver o Arco dos Sérgios e o Templo de Augusto. Foi uma manhã divertida, repleta de monumentos e de muitas caminhadas pelas ruas de empedrado.


Depois do almoço, seguimos para Rovinj, uma pequena joia de cidade com ruas estreitas e sinuosas que levam até uma igreja deslumbrante empoleirada no topo da colina. Rovinj tornou-se rapidamente o nosso local favorito na Ístria, graças ao seu charme histórico bem preservado e à sua atmosfera autêntica, com vistas de mar de cortar a respiração em cada esquina.

Ao final da tarde, quando estávamos prontos para descontrair, regressámos ao Camping Park Umag, onde nos esperava um descanso bem merecido. Terminámos o dia com um mergulho refrescante na piscina e algum tempo de praia, aproveitando cada pedaço da beleza da Ístria.
Dia 26: Gruta de Postojna e Poreč

O Dia 26 trouxe uma grande surpresa para os miúdos: uma viagem de comboio dentro de uma gruta gigante! Começámos por conduzir até à Gruta de Postojna, na Eslovénia, uma viagem rápida de apenas uma hora. Tal como noutros locais populares, tivemos de reservar um horário com antecedência e fomos aconselhados a levar roupa quente as grutas mantêm-se bastante frescas, mesmo no verão. A viagem de comboio foi um sucesso enorme com as crianças; elas adoraram deslizar pelas passagens escuras e avistar as formações brilhantes.

A visita guiada dentro da Gruta de Postojna durou cerca de 1,5 horas e foi hipnotizante para todos nós. Com as suas estalactites imponentes, estalagmites intrincadas e cavernas vastas, Postojna é uma verdadeira maravilha natural e uma visita obrigatória para qualquer amante de grutas!

Ao final da tarde, conduzimos até Poreč, uma cidade costeira encantadora que tem um ambiente muito próprio, distinto de Pula ou Rovinj. A Cidade Velha tem um carácter único, com as suas ruas sinuosas e vistas de mar deslumbrantes. Passeámos com calma, explorando os recantos locais, e encerrámos o dia com um jantar acolhedor num dos restaurantes da zona.
Infelizmente, este foi também o nosso último dia a explorar a Croácia. No dia seguinte, deixaríamos este país maravilhoso em direção a Parma, iniciando a longa viagem de regresso a Portugal. A Croácia deixou-nos memórias inesquecíveis, mas estávamos entusiasmados por ver o que o caminho de volta nos reservava.
IV. O Regresso a Portugal – 5 Dias
Dia 27: Umag – Parma
No Dia 27, com um toque de tristeza, arrumámos as nossas coisas e preparámo-nos para dizer adeus a esta bela região da Europa. O nosso próximo destino era Parma, em Itália, com uma viagem de 450 km (cerca de 5 horas) pela frente. Mas não podíamos deixar o Camping Park Umag sem um último mergulho na praia e na piscina do parque!

Depois desta última despedida da água, fizemo-nos à estrada. A viagem foi, na sua maior parte, tranquila, e fomos entretidos a recordar todas as memórias incríveis que tínhamos acumulado até ali. Ao final da tarde, chegámos ao Holiday Inn Express em Reggio Emilia, prontos para uma boa noite de descanso. Ao instalármo-nos, não pudemos deixar de sentir gratidão pela aventura, já com a expectativa partilhada para esta última etapa do caminho de volta a Portugal.
Dia 28: Reggio Emilia (Parma) – Istres

Para evitar que este dia se transformasse apenas numa longa tirada de 600 km e 7 horas de condução, acordámos cedo e decidimos fazer uma paragem em Parma. Estacionámos nos arredores da zona histórica, no Parkhaus Parma, para evitar quaisquer problemas com as zonas ZTL (Zonas de Tráfego Limitado) de Itália. A partir daí, seguimos a pé até ao centro histórico para visitar e admirar a belíssima Cattedrale di Parma e a San Giovanni Evangelista. Depois de absorvermos mais um pouco do charme de Parma, continuámos a nossa viagem em direção a Istres.

Escolhemos Istres como paragem principalmente por ter o Ibis mais económico da região. O hotel era básico, mas era exatamente o que precisávamos depois de um dia cheio: estávamos cansados e só queríamos descansar um pouco.
Dia 29: Istres – Tarbes com paragem em Avignon

Com apenas três dias de viagem pela frente, cada quilómetro aproximava-nos de Portugal. No Dia 29, tínhamos uma jornada de 500 km (cerca de 5 horas) pela frente, viajando de Istres para Tarbes. Para tornar o dia um pouco mais emocionante, planeámos um pequeno desvio em Avignon para visitar o deslumbrante Palais des Papes e a icónica Pont d’Avignon. Explorar esta cidade histórica foi uma forma fantástica de começar o dia, dando-nos um último vislumbre da história e da cultura francesas.

Depois da nossa visita a Avignon, fizemo-nos à estrada em direção ao Ibis Budget Tarbes, onde ficaríamos alojados por duas noites. A viagem não foi fácil: o trânsito intenso e o mau tempo tornaram tudo bastante desafiante, mas acabámos por chegar em segurança a Tarbes, prontos para descontrair e preparar a reta final da nossa viagem.
Dia 30: Lourdes e Pau
Este foi o nosso último dia de descanso antes da longa tirada de 1.100 km de regresso a Portugal, por isso planeámos um dia divertido e relaxante a explorar Lourdes e Pau, recarregando baterias para a estrada que tínhamos pela frente.

O nosso dia começou em Lourdes, um importante local de peregrinação conhecido pelo Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, onde muitos acreditam que ocorreram curas milagrosas. Encontrámos estacionamento gratuito no Parking Hélios e seguimos para a Basílica de Nossa Senhora do Rosário para visitar o santuário. A experiência foi marcante pela sua humildade.
Depois disso, visitámos o Château Fort Musée Pyrénéen, um castelo histórico no topo de uma colina, que oferece vistas panorâmicas de Lourdes e das suas belas redondezas. No interior, o museu proporcionou-nos um guia bem organizado e exposições numeradas, facilitando a exploração e a aprendizagem sobre a história da região.

IMAGEM Inside Château fort Musée Pyrénéen (43°05’47.6″N 0°02’55.8″W)
À tarde, continuámos para Pau, parando para um almoço de piquenique num parque próximo. Já em Pau, estacionámos ao longo da Avenida Jean Biray, perto do histórico funicular, que nos levou gratuitamente até ao centro da cidade. Foi uma viagem encantadora e com vistas magníficas!


No topo, visitámos a Igreja de Saint-Martin e admirámos a paisagem urbana. Embora tivéssemos planeado inicialmente explorar o Château de Pau, percebemos que as visitas eram feitas apenas através de visitas guiadas em francês; por isso, optámos por passear pelos belos jardins do castelo, que ofereciam vistas maravilhosas sobre a cidade e eram perfeitos para relaxar.
Finalmente, regressámos a Tarbes e encerrámos o dia com uma visita ao Parc Bel-Air, onde os miúdos se divertiram no parque infantil e nos escorregas. Foi o final perfeito para a nossa estadia em França, deixando-nos descansados e prontos para a reta final da nossa viagem.
Dia 31: Tarbes – Lisboa – A Grande Maratona

Era o momento: a reta final! Pela frente tínhamos a maior tirada da viagem: mais de 1.100 km e cerca de 11 horas de estrada. Os despertadores tocaram às 6 da manhã para evitarmos o trânsito matinal e, assim que o sol nasceu, fizemo-nos ao caminho, com cada quilómetro a aproximar-nos de casa.
Com as bandas sonoras da Disney e as nossas playlists de viagem a tocar no Spotify, entrámos no ritmo da condução, fazendo apenas paragens rápidas para manter a energia. Apesar da distância, houve algo de muito gratificante nesta última etapa; sentíamos o entusiasmo a crescer a cada sinalização na estrada. Finalmente, ao final da tarde, chegámos a Portugal. A nossa última paragem foi na Quinta do Sol para nos reencontrarmos com o nosso cão, que tinha estado à nossa espera durante todo o mês. Esse reencontro cheio de alegria foi o regresso a casa perfeito.
Enquanto descarregávamos o carro, caiu-nos a ficha: tínhamos superado um mês inteiro na estrada! Ao planearmos esta viagem, estávamos nervosos com tudo o que poderia correr mal, mas quase tudo correu sobre rodas e voltámos com inúmeras memórias inesquecíveis. Estamos, sem dúvida, mais unidos como família, tornámo-nos viajantes mais experientes e já estamos a sonhar com a próxima aventura.
